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Torre Palace será implodido neste domingo (25) após 12 anos fechado e fim de impasse judicial

Prédio histórico no centro de Brasília dará lugar a novo empreendimento após longa disputa na Justiça

Paulo Cesar Sampaio
Por Paulo Cesar Sampaio 4 Min Leitura
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Implosão do antigo Hotel Torre Palace, no centro de Brasília, marcada para este domingo (25), após mais de uma década de abandono e impasses judiciaisImagem: Reprodução
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Após 12 anos de portas fechadas e um prolongado imbróglio judicial, o edifício do antigo Hotel Torre Palace, no centro de Brasília, será implodido neste domingo (25). A demolição está prevista para ocorrer após um aviso sonoro, às 10h, e marca o encerramento de um dos casos mais emblemáticos de abandono urbano da capital federal.

A empresa responsável pela implosão é a RVS Construções. O prédio, fechado desde 2013, foi adquirido por um grupo econômico do ramo hoteleiro, que planeja construir um novo empreendimento no local. A demolição chegou a ser agendada para dezembro do ano passado, mas acabou adiada após recomendação do Exército.

Impacto no entorno e esquema de segurança

Por motivos de segurança, três hotéis localizados a cerca de 100 metros do Torre Palace serão evacuados entre 6h e 8h da manhã de domingo. Também estão previstas interdições no trânsito, retirada de veículos de estacionamentos próximos e restrição da circulação de pedestres em áreas determinadas.

De acordo com o Governo do Distrito Federal, haverá desligamento programado da rede de energia elétrica e interrupção no abastecimento de água do edifício. Se todas as medidas de segurança forem confirmadas, a liberação do entorno está prevista para ocorrer a partir das 10h30.

Do luxo ao abandono

O Torre Palace funcionou por aproximadamente 40 anos e viveu seu auge até o início dos anos 2000. O declínio começou após a morte do empresário libanês Jibran El-Hadj, fundador do hotel. Com o falecimento do patriarca, a esposa e os seis filhos herdaram o patrimônio, avaliado à época em cerca de R$ 200 milhões.

Divergências familiares sobre o futuro do empreendimento resultaram em disputas judiciais. Em 2007, três filhos deixaram a sociedade e ingressaram na Justiça para reivindicar parte da herança, estimada em R$ 51 milhões, valor que seria obtido com a venda do prédio a uma construtora. A empresa chegou a adiantar R$ 17 milhões aos herdeiros que permaneceram na sociedade, mas o imóvel acabou sendo penhorado antes da conclusão da venda.

Invasões, violência e custos públicos

Com o fechamento definitivo em 2013, o prédio entrou em estado de abandono. Dois anos depois, passou a ser ocupado por usuários de drogas e pessoas em situação de rua. O local sofreu sucessivos atos de vandalismo, com vidros quebrados, pichações e danos à fachada.

Em 2016, o GDF realizou uma operação para desocupar o prédio. A ação durou cerca de 40 minutos e mobilizou aproximadamente 200 agentes do Batalhão de Choque e do Bope, além de helicópteros, uso de balas de borracha e bombas de efeito moral. O custo da operação foi de R$ 802,94 mil, valor que não chegou a ser recuperado pelo governo.

Limbo jurídico e tentativas frustradas

Mesmo após a desocupação, o Torre Palace permaneceu em um limbo jurídico, sem possibilidade de restauração, venda ou demolição. Em 2019, um pedido para demolir o prédio foi negado pela Justiça do DF, que determinou apenas a manutenção do imóvel pelos herdeiros, medida que, segundo o GDF, não vinha sendo cumprida.

Em 2020, o edifício foi levado a leilão, avaliado em R$ 35 milhões, mas não recebeu lances na primeira tentativa. Em dezembro do mesmo ano, foi arrematado por R$ 17,6 milhões pela empresa RBS Administração de Imóveis LTDA, que posteriormente desistiu da compra, com autorização judicial.

Com a implosão marcada para este domingo (25), chega ao fim uma longa trajetória marcada por disputas judiciais, abandono e deterioração de um dos prédios mais conhecidos de Brasília.

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