O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), confirmou que se encontrou com um banqueiro, mas negou que tenha tratado de qualquer negociação envolvendo instituições financeiras ligadas ao governo do DF. A informação foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela TV Globo nesta sexta-feira (23).
Segundo Ibaneis, em nenhuma das ocasiões em que esteve com o banqueiro houve discussão sobre operações financeiras ou decisões relacionadas ao banco público do Distrito Federal. O governador afirmou que participou dos encontros sem se manifestar sobre o tema. “Entrei mudo e saí calado. Em momento algum, nas quatro vezes que o encontrei, tratei de assuntos relacionados a esse tema”, declarou.
Ibaneis também afirmou que a condução das operações financeiras era responsabilidade da presidência do banco à época. De acordo com ele, todas as decisões eram centralizadas no então presidente da instituição, Paulo Henrique Costa. O governador disse ainda que seu erro foi ter depositado confiança excessiva no gestor.
Investigações sobre repasses financeiros
As declarações ocorrem no contexto de investigações que apuram transferências financeiras realizadas entre instituições bancárias entre 2024 e 2025. O Ministério Público aponta indícios de possível gestão fraudulenta nessas operações, que são investigadas pela Polícia Federal.
No ano passado, Ibaneis chegou a minimizar a Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF e pelo Ministério Público, e afirmou que eventuais falhas teriam ocorrido por excesso de confiança na condução administrativa. Na ocasião, ele defendeu o então presidente do banco, que acabou afastado do cargo em novembro e posteriormente demitido.
Apurações em andamento
Segundo as investigações, houve uma tentativa de aquisição de parte significativa de uma instituição financeira privada, com apoio do governo do Distrito Federal, acionista controlador do banco público envolvido. A operação acabou barrada pelo Banco Central.
Além disso, a Polícia Federal apura a compra de carteiras de crédito consideradas problemáticas, com foco na análise dos processos internos de avaliação, aprovação e governança dessas operações.
Além da Polícia Federal, do Ministério Público e do Banco Central, a nova direção do banco e uma auditoria independente também investigam as transações. Até o momento, não há conclusões oficiais divulgadas.




