Pesquisas recentes deixam claro o posicionamento dos brasileiros: 70% da população entende que o enfrentamento ao crime organizado é um problema que deve ser encarado prioritariamente pelo Governo Federal, segundo o Instituto Genial/Quaest.
Não obstante, os caminhos trilhados no Congresso Nacional parecem ignorar esse anseio. O relatório da Proposta de Emenda à Constituição nº 18 – a PEC da Segurança Pública –, que poderia representar um avanço substancial, e os debates sobre o Projeto de Lei Antifacções demonstram que muitos parlamentares resistem em seguir o que a população exige. Vários deputados já questionam o texto aprovado no Senado para o PL Antifacções, enquanto o relatório apresentado para a PEC 18 passa longe dos desejos da sociedade e dos próprios trabalhadores da área de segurança.
Operações midiáticas
A realidade é cruel. O debate sobre segurança pública está envolto no discurso pouco técnico e polarizado da política brasileira. Não se adotam políticas baseadas em evidências, em estudos técnicos sólidos ou em melhores práticas já comprovadas. Nossos políticos preferem, muitas vezes, fazer promessas absurdas, apostar em programas falidos e em operações midiáticas – tudo com retorno irrisório e zero efetividade na prestação do serviço ao cidadão.
O que colhemos hoje? Uma estratégia de combate à criminalidade altamente questionável. O controle territorial armado em grandes centros urbanos. A infiltração do crime organizado na praça financeira (Faria Lima e adjacências), nas fintechs e nos sistemas de apostas legais e ilegais.
E, de forma mais perversa, a corrosão e a infiltração nas próprias instituições, sejam elas políticas — no Legislativo, no Executivo ou no Judiciário.
Responsabilização compartilhada
Alcançar um divisor de águas na segurança pública não é fácil, mas é viável. Está ao alcance se buscarmos, por exemplo, um texto final para a PEC 18 que efetivamente priorize políticas públicas inteligentes, coordenadas e com avaliação de resultados. É premente a modernização de um sistema hoje defasado, inoperante e caótico. A definição de metas mensuráveis e claras, com responsabilização compartilhada entre União, estados e municípios, precisa ser o norte.
Epidemia de violência contra a mulher
Os números atuais são a prova da ineficiência: temos índices de solução de homicídios abaixo de 30% no país – resultado pífio. Vive-se uma clara epidemia de violência contra a mulher, que exige medidas eficazes de prevenção, fiscalização e uma rede de acolhimento que funcione de verdade. O controle de armas deve ser rigoroso e inteligente, e a criminalização do fornecimento de insumos para fabricação clandestina é urgente.
O ponto central é este: 2026 é ano eleitoral. A segurança pública será tema central nos debates. A população não pode se deixar enganar por soluções milagrosas ou simplórias. É preciso perguntar e exigir respostas concretas: o candidato tem um plano factível para melhorar os índices de criminalidade? Compreende a necessidade de coordenação nacional para ações integradas e inteligentes? De discurso em discurso, o crime organizado se agiganta e até mesmo elege representantes. Como diz o dito popular, “de boas intenções, o inferno está cheio”. Está na hora de a segurança pública sair do campo da intenção eterna e migrar para o das propostas exequíveis, com foco em resultados para o povo brasileiro.



