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Novas regras do Pix: o que muda e por que isso preocupa usuários

Mudanças do Banco Central prometem aumentar a segurança contra golpes, mas levantam dúvidas entre clientes e instituições financeiras

Flávia Marinho
Por Flávia Marinho 3 Min Leitura
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Mudanças do Banco Central prometem aumentar a segurança contra golpes, mas levantam dúvidas entre clientes e instituições financeiras Imagem: Reprodução
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Todo dia, brasileiros caem em golpes eletrônicos, muitos deles envolvendo o Pix. Para tentar reduzir os prejuízos e aumentar a chance de recuperar valores roubados, o Banco Central determinou que, a partir de fevereiro, todas as instituições financeiras sigam novas regras de segurança no sistema de transferências instantâneas.

A aposentada Rita Arai sabe bem o impacto desse tipo de crime. Com o piso da garagem em obras e dezenas de sacos de entulho acumulados, ela procurou uma empresa para retirar o material. O serviço foi combinado por R$ 260, pagos via Pix, com a promessa de que a caçamba chegaria ainda naquele dia. A entrega nunca aconteceu.

Após perceber que havia sido enganada, Rita tentou reaver o dinheiro junto ao banco, mas não teve sucesso. A explicação foi que o valor provavelmente já havia sido transferido para outras contas, o que impossibilitou o estorno. O prejuízo ficou todo com a vítima.

Por que o dinheiro some tão rápido

Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o modelo atual de combate às fraudes é mais lento do que a ação dos golpistas. Normalmente, o dinheiro cai primeiro em uma conta laranja, usada apenas como passagem, e é rapidamente pulverizado para outras contas. Para rastrear essas transferências, os bancos dependem de contatos bilaterais entre instituições, um processo que não é automatizado.

Com isso, quando a comunicação acontece, o valor já desapareceu. Hoje, menos de 10% do dinheiro roubado em golpes via Pix é recuperado, índice considerado baixo e que acaba estimulando a continuidade desse tipo de crime.

O que muda com a nova regulamentação

A nova regra pretende acelerar a resposta aos golpes. Assim que a vítima denunciar a fraude, o sistema vai bloquear automaticamente a conta que recebeu o Pix. Se não houver saldo, o bloqueio avança para as contas seguintes que receberam o dinheiro, em uma tentativa de interromper a circulação dos valores.

Outra mudança importante é que o alerta de golpe poderá ser feito diretamente pelo aplicativo do banco, sem a necessidade de contatos demorados por telefone ou outros canais. A expectativa é tornar mais difícil e mais caro o uso de contas laranjas no sistema financeiro.

Para Rita, a experiência deixou um alerta. O sentimento, segundo ela, é de ter sido roubada sem sequer ver o ladrão. Com as novas regras, a esperança é que menos pessoas passem pela mesma situação e que os golpes eletrônicos encontrem cada vez mais barreiras para acontecer.

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