Quem acompanha os corredores do Palácio do Buriti percebe que nem todas as presenças ali são protocolares. Em Brasília, circular pelos espaços certos, nos momentos certos, também é uma forma de exercer poder. E, nos últimos meses, alguns nomes passaram a ocupar esses ambientes com uma regularidade que chama atenção.
À frente da Secretaria de Justiça e Cidadania desde o primeiro mandato de Ibaneis Rocha, Marcela Passamani conduz uma pasta de grande capilaridade social. Programas voltados à cidadania e à população idosa, como o Viver 60 Mais, explicam sua presença constante em ações espalhadas pelas regiões administrativas. Nos bastidores, sua atuação vai além da gestão, com envolvimento direto na formação política feminina, à frente do MDB Mulher, o que amplia sua projeção no ambiente político.
Já Gustavo Rocha opera em outro plano. Como secretário-chefe da Casa Civil, cabe a ele organizar agendas sensíveis, alinhar interesses e manter o diálogo entre o Executivo, os partidos e a Câmara Legislativa em funcionamento. Com passagem pelo Governo Federal, quando integrou a equipe do então presidente Michel Temer, Gustavo voltou ao cenário local ocupando uma das posições mais estratégicas da estrutura do GDF.
Sua recente filiação ao Republicanos foi interpretada nos círculos políticos como um movimento calculado dentro do redesenho partidário que antecede a disputa de 2026. Assim como ocorre com Marcela, seu nome passou a circular com mais força nos ambientes onde as chapas começam a ser testadas antes de ganharem forma pública.
Filiação, redesenho partidário
O calendário eleitoral impõe limites e decisões. Caso confirmem projetos eleitorais, ambos precisarão deixar seus cargos até abril. Marcela aparece entre os nomes lembrados para disputar uma cadeira na Câmara Legislativa. Gustavo é citado com frequência como possível opção para compor uma chapa majoritária, na condição de vice, dentro do projeto liderado pela vice-governadora Celina Leão.
Nada foi anunciado oficialmente. Mas, na política, os movimentos quase sempre antecedem as palavras. E, neste momento, a simples presença já diz muito.




