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Lula volta a Brasília e avalia trocas no ministério; Lewandowski e Haddad sinalizam saída

Ministro da Justiça quer deixar o cargo ainda nesta semana, enquanto titular da Fazenda negocia permanência até fevereiro

Paulo Cesar Sampaio
Por Paulo Cesar Sampaio 4 Min Leitura
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva retorna a Brasília em meio a discussões sobre mudanças no ministérioImagem: Reprodução
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retorna a Brasília com a necessidade de decidir, de forma rápida, sobre mudanças no primeiro escalão do governo. Dois ministros já comunicaram ao presidente o desejo de deixar seus cargos: Ricardo Lewandowski, da Justiça, e Fernando Haddad, da Fazenda.

Lewandowski indicou a Lula, ainda no fim do ano passado, a intenção de antecipar sua saída do Ministério da Justiça. A expectativa, segundo integrantes da pasta, é de que ele deixe o cargo até o fim desta semana, possivelmente na sexta-feira (9). Já Haddad manifestou o desejo de sair no início do ano, mas sinalizou que poderia permanecer até o fim de fevereiro.

Saída na Justiça e impasse político

Dentro do Ministério da Justiça, há divergências sobre o momento da saída de Lewandowski. Técnicos defendem que ele permaneça até a conclusão da tramitação da chamada PEC da Segurança Pública, que ainda precisa passar pelo plenário da Câmara dos Deputados e pelo Senado.

Interlocutores do ministro relatam, no entanto, que ele demonstra cansaço diante da condução de temas sensíveis sem respaldo consistente do Palácio do Planalto. As críticas internas recaem principalmente sobre a Casa Civil, comandada por Rui Costa, apontada como pouco aberta ao diálogo. Também há desânimo com a relação com o Congresso Nacional, onde, segundo a pasta, projetos estratégicos foram desfigurados durante a tramitação.

O desejo de Lewandowski é encerrar sua passagem pelo ministério durante o ato do governo que marca os eventos de 8 de janeiro. Os secretários da pasta já teriam sido informados da decisão desde o fim de 2025, restando apenas a definição final do presidente.

Fazenda já passa por mudanças

Na Fazenda, o cenário é de transição gradual. Caso Haddad deixe o cargo, a tendência é que o secretário-executivo, Dario Durigan, assuma o comando da pasta. Mesmo antes da saída do ministro, a equipe já começou a ser alterada.

Marcos Barbosa Pinto, então responsável pela Secretaria de Reformas Econômicas, deixou o ministério antes do recesso parlamentar. A saída, anunciada ainda em novembro, é vista por governistas como um movimento natural. Avaliações internas indicam que a agenda reformista da Fazenda no terceiro mandato de Lula chegou ao fim e que o ex-secretário tinha perfil mais ligado ao mercado do que à articulação política.

Planos eleitorais e pressão do PT

O interesse de Haddad, segundo aliados, seria atuar na coordenação da campanha de reeleição de Lula. No entanto, dentro do PT, os planos para ele passam por uma eventual candidatura ao governo de São Paulo ou ao Senado.

No caso da Justiça, a possível saída de Lewandowski reacendeu discussões internas no partido. Setores do PT defendem que Lula aproveite a mudança para dividir a atual estrutura em dois ministérios distintos: Justiça e Segurança Pública. A proposta é vista como uma resposta direta às críticas do eleitorado, que, de acordo com pesquisas recentes, aponta a segurança pública como uma de suas principais preocupações.

As decisões agora estão nas mãos do presidente, que dará a palavra final sobre o calendário e o formato das mudanças na Esplanada dos Ministérios.

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