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A magia de confraternizar: quando o ano vira encontro

Mais do que metas e resultados, o que sustenta a travessia são as relações que construímos no caminho

Rodrigo Santana
Por Rodrigo Santana  - Psicólogo 3 Min Leitura
3 Min Leitura
Em meio ao cansaço coletivo, as confraternizações de fim de ano lembram que, antes de prazos e problemas, somos gente que precisa pertencerImagem: Freepik
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Dezembro, no Brasil, não começa no dia 1º. Começa no primeiro “bora marcar uma confra?”. Confraternizar, no sentido mais simples, é reunir-se para fechar um ciclo e renovar a energia para o próximo. Pode ser no bar da esquina, na varanda da casa da avó, na sala apertada da firma ou em uma mesa improvisada com plástico e isopor. O cenário muda, mas a essência é a mesma: dar uma pausa na correria, agradecer pelas conquistas, rir dos tropeços e descobrir que ninguém atravessa o ano sozinho.

O curioso é que, nas “confras”, alguns estereótipos desmancham. O tímido vira contador de causos, o sério se arrisca na dança, o cansado encontra um jeito de rir do próprio cansaço.

A festa não resolve problemas estruturais, não apaga injustiças, mas abre uma fresta de humanidade em um cotidiano que vive no automático. Nessas horas, até quem passou o ano à base de “bom dia” seco descobre que também guarda histórias, manias, medos e sonhos bem parecidos com os dos outros.

Mas tem a galera que torce o nariz para tudo isso, dizendo que confraternização é “hipocrisia coletiva”. Às vezes é, sim!

Mas, mesmo nos encontros cheios de pequenas falsidades, algo verdadeiro escapa: um abraço que dura um segundo a mais, um “conta comigo” que não estava no roteiro, um pedido de desculpas que só saiu porque a música estava alta o suficiente para disfarçar a vergonha.

Beleza na mistura

Ninguém é 100% personagem o tempo todo. Dezembro costuma derrubar algumas máscaras, ainda que discretamente.

Talvez a grande beleza das “confras” esteja justamente na mistura: alegria com cansaço, piada interna com desabafo honesto, foto posada com olhar marejado. É nesse caos afetivo que percebemos o óbvio que o ano insiste em esconder: mais do que metas e resultados, o que sustenta a travessia são as relações que construímos no caminho.

Então, se o convite aparecer, vá. Não para postar, mas para estar. Não para performar felicidade, mas para experimentar um pouco de leveza compartilhada.

Leve uma boa história, uma escuta verdadeira e, se der, um agradecimento engasgado que ficou o ano inteiro esperando a ocasião certa.

Confraternizar, no fim das contas, é isso: reconhecer que, apesar de tudo, ainda vale a pena brindar à vida e, principalmente, uns aos outros.

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Posted by Rodrigo Santana Psicólogo
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Psicólogo, mestre em Saúde Pública e doutorando em Governança e Transformação Digital
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