Temos visto crescer em progressão alarmante a violência social nos mais diversos espaços que compartilhamos. Seja no mundo virtual ou no mundo presencial, são notícias e mais notícias de feminicídios, mortes violentas (algumas institucionalizadas pelo Estado), assédios, cancelamentos, retirada de direitos, destruição ambiental. E tenho insistentemente me perguntado qual será o fim disso tudo se não pararmos para refletir sobre o que temos nos tornado como humanidade.
Muitos são os que culpam os políticos que temos como se estes fossem entes autônomos que houvessem invadido os lugares que ocupam do nada. Sinto dizer, mas estas criaturas que tanto execramos saíram de nosso meio social e representam uma boa camada da população que pensa como eles e deseja vê-los articular todos os absurdos que causam, justificam e aplaudem essas tantas violências, sejam elas chacinas, assassinatos, estupros, assédios ou expulsão de pobres das cidades. Para os abandonados pelo Estado, nem mais o chão lhes resta.
E o impressionante é que conseguiram persuadir uma boa parte da população (que se diz misericordiosa, caridosa, bem intencionada) de que é a favor da vida, mas acha que bandido bom é o bandido morto; de que podem defender pautas que vão contra sua própria existência; de que podem ignorar todos os seus valores basilares em favor da repetição de mantras inaceitáveis. Lembro, ao analisar tais comportamentos, de uma frase de Ray Bradbury “Você não precisa queimar livros para destruir uma cultura, basta as pessoas pararem de lê-los”.
Espaços de violência
No lugar dos livros, passamos a repetir mentiras dispostas nas redes sociais como se fossem verdades absolutas e de tanto serem repetidas, passamos a acreditar nelas cegamente, sem qualquer filtro, o que agrava o problema, já que nos fechamos a qualquer tipo de argumentação. Em nichos de informação, descolados de contrapontos, seguimos ouvindo o que queremos, o que gostamos, o que nos anestesia sem piedade. Entregamos mentes e corpos ao delírio numa distopia cognitiva que ignora a realidade e supervaloriza o absurdo. Vamos ampliando os espaços de violência e julgamos impiedosamente qualquer divergência.
Ao finalizar, retorno aos políticos. Quais políticos queremos ter no futuro? Que ideias gostaríamos que defendessem? Que modelo de sociedade queremos? A resposta pode estar no pensamento de Maria Montessori sobre a necessidade de educar para a paz: “A criança que sente um forte amor pelo ambiente que a rodeia e por todos os seres vivos, que descobre alegria e entusiasmo no trabalho, dá-nos motivos para esperar que a humanidade possa evoluir numa nova direção.”.




