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Ação da PF contra fraude bilionária resulta na prisão do dono do Banco Master e alcança o BRB

Operação "Phoenix" da PF aponta esquema que teria usado banco público do DF como "linha de crédito"; caso atinge núcleo político da capital federal

Flavio Werneck
Por Flavio Werneck  - Segurança Pública 5 Min Leitura
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Controlador do Banco Master, alvo da operação que expõe um dos maiores rombos financeiros do paísImagem: Reprodução/redes sociais
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Daniel Breda Vorcaro, controlador do Banco Master, foi preso preventivamente na sexta-feira (17) em uma operação da Polícia Federal (PF) que investiga um dos maiores esquemas de fraude financeira do país, com um prejuízo estimado em R$ 12,2 bilhões. A investigação, no entanto, ganha contornos mais amplos e políticos ao revelar o envolvimento do BRB (Banco de Brasília), uma instituição pública controlada pelo governo do Distrito Federal (GDF).

A Operação “Phoenix” aponta que o suposto golpe não se restringiu ao Master, mas teria usado o banco público como uma espécie de “caixa secundário” para movimentar recursos e postergar o colapso do esquema.

O Mecanismo da Fraude: Master, VM e a Conexão com o BRB

De acordo com as investigações, o esquema funcionava em três atos principais:

  1. “Boca de Caixa” no Banco Master: O banco teria concedido empréstimos vultosos e irregulares a empresas do Grupo VM, de propriedade do próprio Daniel Vorcaro, e a empresas “laranjas”. Essa prática, ilegal, desviava recursos dos depositantes para os bolsos do controlador do banco.
  2. Superfaturamento de Garantias: As empresas do Grupo VM usavam esses empréstimos para adquirir ativos (como imóveis e créditos), que eram subsequentemente superfaturados. Esses ativos inflados serviam como garantia para novos empréstimos, criando um ciclo fictício de crescimento.
  3. O Papel do BRB: A “Tábua de Salvação” do Esquema: Quando as empresas do Grupo VM começaram a não honrar seus compromissos com o Banco Master, o esquema buscou uma solução arriscada. Investigadores apontam que as mesmas empresas, com os mesmos ativos superfaturados, teriam obtido grandes empréstimos do BRB. O dinheiro do banco público, por sua vez, era usado para quitar ou “maquiar” as dívi das no Banco Master, postergando a descoberta da fraude e transferindo parte do risco para os cofres públicos.

Os prejuízos podem girar acima dos apresentados pelo escândalo das lojas americanas, ou seja, mais que 52 bilhões de reais. Mais um rombo bilionário que merece ser investigado com apresentação de todos os envolvidos. A análise dos bancos de dados e celulares do Vorcaro prometem um terremoto político/jurídico nos poderes.

Semana agitada: um rápido resumo de outras operações policiais

1 – Prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro – Foi cumprida ordem de prisão na Polícia Federal, por decisão do ministro Alexandre de Moraes, que foi mantida por unanimidade pela Primeira Turma do STF. Quais as consequências disso? Isso quer dizer que ele permanecerá EXTRAORDINARIAMENTE (visto que a Polícia Federal não tem cadeia e nem tem essa competência constitucional) na PF, até o trânsito em julgado da ação penal 2668. Após, pode ser transferido para unidade prisional. Ressaltamos aqui que a tentativa de violação do equipamento de monitoramento eletrônico, por si só, já é justificativa para decretação de prisão preventiva. Sem entrar em discussões subjetivas de quaisquer outras alegações, contra ou a favor.

2 – Tivemos mais uma fase da operação da fraude no INSS – PRECISAMOS DE UMA BASE DA PF URGENTE DEDICADA A ACOMPANHAR IBOVESPA E DAR SUPORTE AO BACEN! – Nessa última operação foram presos Antonio Carlos o “careca do INSS” e Alessandro Stefanutto – ex-presidente do INSS. Foram cumpridos 63 mandados de busca e 10 de prisão preventiva, além de medidas cautelares diversas da prisão (leia-se tornozeleira… de novo tornozeleiras). Desde abril foram presas 18 pessoas, entre políticos e empresários e os crimes investigados são: inserção de dados falsos em sistemas oficiais; organização criminosa; estelionato; corrupção ativa; corrupção passiva e; ocultação e dilapidação patrimonial.

Essas três investigações/operações/crimes destacados foram os que tiveram maior repercussão nesses últimos dias. Mas… Tivemos mais de 15 operações contra organizações criminosas no Brasil. O trabalho é enorme e demanda inteligência, dedicação, foco e investimento. Precisamos alterar SIM NO SENADO o PL ANTI-FACÇÃO. Ele tem erros que podem beneficiar os líderes das organizações criminosas e enfraquecer a Polícia Federal.

Assim como temos que fazer devidas alterações na PEC 18/2025, em tramite na Câmara dos Deputados. A população exige uma segurança mais eficaz… As polícias precisam e querem essas mudanças para prestar um serviço melhor… Está faltando o Congresso entender e ouvir a sociedade e os trabalhadores da segurança do Brasil

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Posted by Flavio Werneck Segurança Pública
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Advogado, servidor público, mestre em criminologia e pós-graduado pela Escola do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios.
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