Hoje, quero começar nossa coluna com uma frase de Nietzsche que me faz refletir sobre a energia que existe nas escolas. Sim, essa energia que depende de tantos e tantos fatores, mas especialmente da rede de relações que ali se estabelecem entre gestores, pais, funcionários e estudantes… Ao adentrarmos em algumas escolas, são muitas as percepções possíveis. Em algumas, há uma alegria, uma potência, um burburinho sem gritos (nem de crianças, nem dos adultos que delas cuidam), é um barulho apaziguador, quase necessário à vida. Em outras tantas, sentimos uma tensão no ar, uma onda ruidosa que incomoda e gera ansiedade.
Retomando a frase que gerou essa reflexão inicial: “E que seja perdido um único dia em que não se dançou.”, fico a pensar que essa bela metáfora pode ser perfeitamente aplicada ao contexto educacional quando deixamos de vivenciar momentos tão ricos e tão presentes em nossas vidas cotidianas. Quanto perdemos quando não conseguimos estabelecer ali aquelas amizades que perduram por uma vida inteira? Quantas experiências deixamos passar quando não rimos, fazemos piadas de nós mesmos, nos alegramos e nos entristecemos como nossos colegas? Quanto podemos perder quando deixamos escapar entre os dedos nossos primeiros amores, especialmente os platônicos, cheios de sonhos?
Seres sociais e humanos x zumbis digitais
Muitas vezes, toda essa perda se dá por não conseguirmos mais nos relacionar como antes. Aquilo que poderíamos dizer presencialmente, dizemos apenas quando mediados por um celular que se interpõe como canal necessário ao que queremos dizer. Tal opção se dá tantas vezes por não sabermos mais lidar com o olhar do outro, com o toque, com as relações humanas mais naturais. Esquivamo-nos desse contato que abraça ou afasta. Recorremos ao que nos esconde e ao que escamoteia nossos sentimentos.
E nesse contexto, nada salutar, a saúde mental se esvai em devaneios, ansiedades e depressões. Afinal, somos seres sociais… Precisamos uns dos outros. Precisamos do afeto, do abraço, do sorriso que irmana e reúne.
É, portanto, urgente entendermos como podemos trabalhar para que nossas crianças e adolescentes usufruam, no ambiente escolar, dessa riqueza que é ser humano e não apenas zumbis que circulam sem se perceberem em suas singularidades, em sua alteridade. Pensar em como se dão as relações pessoais, as trocas, o compartir a vida… Para que não percamos as oportunidades de dança, precisamos de uma educação que retome essa humanidade que há em nós e que se pulveriza a cada dia nos becos do isolamento, do egoísmo e das tecnologias sem limites.




