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Violência contra professores: é preciso dar um basta

Crianças e adolescentes a quem são postos limites sabem lidar com os problemas da vida com maior resiliência

Sandra Mara Bessa
Por Sandra Mara Bessa  - Professora 3 Min Leitura
3 Min Leitura
Casos de agressão a professores reacendem o alerta sobre a falta de limites e o enfraquecimento do respeito dentro e fora das escolas Imagem: Reprodução TV

Esta semana foi mais uma vez marcada por um triste episódio de violência contra um professor no exercício de sua profissão. A história noticiada pela mídia conta que uma aluna, utilizando o celular no horário de aula, foi chamada à atenção pelo professor que estava ali para cumprir o seu papel de educar. A aluna, como recorrentemente acontece atualmente, chegou em casa reclamando da ação do professor. O pai, insatisfeito por sua filha ter sido repreendida, invade a escola e ataca a murros o professor. A triste cena foi filmada pelos alunos na sala de aula. O pai teve de ser contido pela própria filha e saiu algemado da escola. E mais um professor que declara não ter condições de voltar à sala de aula.

Inteligência emocional

Parece repetitivo tratar desse tema mais uma vez, mas a história me lembrou que, há alguns anos, atuando como coordenadora pedagógica em uma escola, atendi uma mãe que reclamava exatamente de um professor que chamava atenção de sua filha por que conversava excessivamente em sala de aula. Fico a me perguntar se os pais não enxergam o quanto essa atitude é maléfica à formação social desse indivíduo que passa a não entender os nãos que a vida nos traz. Saber lidar com limites e frustrações faz parte do processo de desenvolvimento socioemocional das crianças e dos adolescentes.

Compreender que tem suas próprias necessidades e que nem sempre as coisas acontecem como desejamos nos fortalece a inteligência emocional e garante nossa saúde mental.

Competências como autogestão, autoconhecimento, empatia e resiliência são fundamentais nesse processo de aprender a ser e a conviver, como apontava Delors no início deste século. O enfrentamento a dificuldades, a fracassos e a frustrações faz parte de nosso cotidiano. Crianças e adolescentes a quem são postos limites sabem lidar com os problemas da vida com maior resiliência.

Possivelmente, se a aluna da história contada aqui tivesse limites, não teria questionado a ação do professor, o pai não seria um agressor e a educação teria êxito na formação de sujeitos mais conscientes de seu papel na construção de um mundo mais pacífico. A escola não pode mais se submeter a isso. Professores não podem ser agredidos dessa forma. Precisamos dar um basta na violência instaurada e isso precisa necessariamente começar em casa!

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Posted by Sandra Mara Bessa Professora
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Gestora de projetos e especialista em Educação
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