Ad image

A busca pela perfeição pode ser uma armadilha

O que ganhamos ao reconhecer a realidade e quem se beneficia de verdade dessa corrida desenfreada para um “eu ideal” que nunca chega?

Rodrigo Santana
Por Rodrigo Santana  - Psicólogo 3 Min Leitura
3 Min Leitura
O amadurecimento é olhar atento ao repertório do passado e reconhecer que, dentro das opções que se tinha, você fez o seu melhorImagem: Freepik
Ouça o post

Confesso: toda vez que ouço o jargão “seja sua melhor versão”, sinto um incômodo quase físico. Esse quase “mantra” com discurso implícito de evoluir o tempo todo virou uma espécie de religião moderna — e não há espaço para desviar do altar da autoajuda. Mas quem se beneficia, de verdade, dessa corrida desenfreada para um “eu ideal” que nunca chega? Quem paga o preço da obsessão pela excelência?

Esse modelo nos vende uma ideia sedutora e às vezes mirabolante: que basta disciplina para deixar para trás falhas, dúvidas e contradições. Só que, nesse processo, perdemos justamente o que nos faz humanos: a imperfeição, o improviso, o deslize, a pausa.

Vida real diferente de conformismo

Vocês não acham curioso que tanta gente dedicada a “ser melhor” viva cansada, frustrada e insegura, como se nunca fosse suficiente? A promessa da superação sem fim é, na prática, um atestado de insatisfação crônica.

Viver uma “versão real” não é propor conformismo. É escolher a honestidade diante do espelho — enxergar limites, tropeços, vitórias e derrotas com a lucidez de quem sabe: a vida é feita de tentativas, não de performances.
Isso exige coragem num mundo viciado em aparências e filtros. É preciso força para bancar suas escolhas, inclusive aquelas que não rendem likes ou curtidas (afinal a vida não é sobre likes ou curtidas).

O amadurecimento é o olhar atento ao repertório do passado – não para ficar remoendo aquilo que por ventura não deu certo – mas reconhecer que dentro das opções que tinha, você fez o seu melhor. Entender este processo é fundamental para perceber que não há a menor necessidade de impressionar qualquer plateia (exceto que você seja um artista), mas ser fiel a si próprio e no que você acredita.

Existência autêntica

No final das contas, o mito da sua melhor versão serve muito bem ao mercado do autodesenvolvimento, mas pouco à construção de uma existência autêntica. Talvez o melhor a se pensar em um caminho nobre, seja ter sentido aquilo que fazemos e aderência com a nossa própria história do que melhorar a qualquer custo!

Foque na versão real, com consciência, espontaneidade e dignidade. Melhor do que isso? Só um mundo menos viciado em performance e mais sedento de verdade.

Compartilhe esse Artigo
Posted by Rodrigo Santana Psicólogo
seguir
Psicólogo, mestre em Saúde Pública e doutorando em Governança e Transformação Digital
Deixe sua opnião
Verified by MonsterInsights