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Peça recria as memórias da boate gay New Aquarius

O Arco-íris no Concreto, de Sérgio Maggio, traz ao palco a noite gay que desafiou a ditadura militar

Redação
Por Redação 7 Min Leitura
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Imagem: Divulgação
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A primeira boate gay de Brasília, a New Aquarius, ainda acende a pista no imaginário cultural da capital do poder. Encravado no subsolo do Conic, o espaço abriu as portas no período mais austero da ditadura militar. Primeiro como um discreto bar, em 1974, para “entendidos” (assim que a população LGBTQIA+ era chamada nos anos 1970), depois como a discoteca, em 1976, que reuniu artistas, jornalistas, boêmios, intelectuais, estudantes, servidores públicos e alternativos.


É sobre este universo de liberdade em tempos de mordaças da ditadura que se ergue o espetáculo O Arco-íris do Concreto, texto e direção de Sérgio Maggio, que tem temporada de oito sessões gratuitas no Complexo Cultural de Samambaia (23 e 24 de setembro, às 20h); e no Sesc Silvio Barbato (26 e 27 de setembro, às 19h30, 28 de setembro, às 18h30; 03 e 04 de outubro, às 19h30; 05 de outubro, às 18h30).


Em cena, os intérpretes-criadores Hugo Leonardo, Maria Leo Araruna e Pedro Olivo dão vida a personagens que habitam tempos de ação entre o presente e as memórias. A montagem tem participação dos atores Jones Schneider e Wryel Lima. A Drag Queen LuShonda será a hostess da temporada, recepcionando o público no foyer dos teatros.


“Desde que cheguei em Brasília, em 2001, que as histórias da New Aquarius sussurravam aos meus ouvidos, sempre com muito afeto e saudosismo. Iniciei a pesquisa para a escrita e montagem da peça, em 2019, e fomos interrompidos pela pandemia. Agora, finalmente, chegamos ao palco não só para escavar memórias, mas, sobretudo, para discutir o significado desses espaços transgressores numa época de extrema violência institucional contra pessoas LGBTQIA+”, aponta o diretor-dramaturgo da Criaturas Alaranjadas Núcleo de

Criação Continuada

A montagem foi selecionada pelo edital SESC + Cultura e tem patrocínio do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), dentro do projeto “Aquarius, O Arco-íris do Concreto”, da Drag Queen LuShonda, autora do documentário Um Salto Alto – A História da Arte Transformista no Distrito Federal.

Cabaré de Resistência

Em O Arco-íris do Concreto, a narrativa constrói o encontro geracional entre a transformista Mona Mone de Liz Taylor (Hugo Leonardo) e de Martina (Maria Leo Araruna). Enquanto Mona se prepara para se despedir de Brasília e das lembranças da New Aquarius, Martina chega em busca de respostas sobre a história de amor vivida pelos pais que se conheceram na boate em 1976. Entre as duas personagens, encontra-se Luna (Pedro Olivo), uma jovem drag queen que tenta se entender em meio aos tempos atuais e tantas memórias postas em cena.

A peça discute a importância da memória LGBTQIA+, a partir do embate entre diferentes gerações, destaca Maria Leo.


A montagem põe diante dos olhos dos espectadores as fricções sobre esses tempos. Dos perigos às distrações. O palco se ilumina com músicas e danças, enquanto os intérpretes inundam a ficção de Maggio com relatos pessoais e histórias que ecoam a luta por aceitação e direitos da comunidade LGBTQIA+.

Colorir o concreto com as cores do arco-íris no cenário seco de Brasília é reivindicar nossa existência em meio a esse deserto no centro do Brasil, observa o ator Hugo Leonardo, destaque na cena de Brasília pelo exímio trabalho de palhaço.


Na criação cênica, O Arco-íris do Concreto tem figurinos e cenário criados pelo ator e artista visual, Jones Schneider.

Trouxe da minha memória de jovem frequentador o ambiente que via: um palco minúsculo onde as artistas se agigantavam, e desenhos em neon presos às paredes. Os figurinos remetem ao clima de cabaré, proposta cênica da dramaturgia.


Na iluminação, Lemar Resende cria as dobras de tempos entre o presente e a memória, ao mesmo tempo que faz o globo espelhado girar na batida alucinante da dança. As coreografias são da Drag Queen K-Halla.


O Arco-íris do Concreto segue a pesquisa sobre metamelodrama utilizada por Maggio desde Eu Vou Tirar Você Deste Lugar – As Canções de Odair José, primeiro musical brasiliense indicado ao Prêmio Bibi Ferreira.

Há a apropriação dos elementos do melodrama para comentá-los, evidenciá-los, desdramatizá-los, exagerá-los, usando estratégias teatrais que quebram com a estrutura folhetinesca sem desqualificá-la. Uma estética muito usada no audiovisual por diretores como Pedro Almodóvar e Quentin Tarantino, destaca o diretor.

Sinopse


Ao lado da jovem drag queen Luna, Mona Mone de Liz Taylor, uma histórica artista transformista, despede-se de Brasília com seu último show. Nos bastidores, recebe a inesperada visita de Martina, filha de Júlio e Help, frequentadores da boate no passado. Martina busca entender a história de amor de pais e a importância da New Aquarius num momento em que a vida LGBTQIA+ era invisibilizada e reprimida pela ditadura militar.

📌 SERVIÇO🎭 Espetáculo: O Arco-Íris no Concreto

📍 Locais e datas

  • Complexo Cultural Samambaia
    📅 23 e 24 de setembro
    🕗 20h
  • Sesc Silvio Barbato (Setor Comercial Sul)
    📅 26 e 27 de setembro → 🕢 19h30
    📅 28 de setembro → 🕕 18h30
    📅 03 e 04 de outubro → 🕢 19h30
    📅 05 de outubro → 🕕 18h30

Acessibilidade

  • 24/09 → Libras e audiodescrição
  • 27/09 → Libras
  • 03/10 → Libras e audiodescrição
  • 04/10 → Libras

🎟️ Ingressos: Gratuitos pelo Sympla
🔞 Classificação indicativa: 16 anos

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