Somos seres de linguagem, contadores natos de histórias e de acontecimentos. Contamos nossos desejos e necessidades, como vemos o mundo, quais nossas percepções mais íntimas sobre quase tudo. Pela linguagem moldamos nosso pensamento e expressamos quem somos. Nossa identidade está irremediavelmente marcada pela linguagem que dá indicativos de nossas origens, profissão e personalidade. Seu caráter relacional impele à responsabilidade pelo que dizemos ao outro a partir das concepções que temos sobre ele, assim como traz implicações para a forma como o outro nos vê.
Linguagem é bicho solto
No tocante à consciência que temos, em maior ou menor medida, das consequências que uma boa ou uma má comunicação pode trazer para nossas vidas, vale lembrar que, desde crianças, somos alertados sobre o que dizer, como dizer, porque não dizer algo de determinada forma. Seja na vida em família ou na escola, há evidente restrição ao que se diz e como se diz, que se baseia nas concepções sobre o que é social ou culturalmente aceitável ser dito ou não. No entanto, a linguagem é bicho solto, livre por natureza, dinâmica e irrefreável. Muda de acordo com os interesses de quem a usa, com as necessidades que vão se apresentando, posto que o mundo também não para.
Múltiplas linguagens
É fácil verificar essas mudanças no cyberespaço com todas as suas possibilidades comunicativas advindas do uso de múltiplas linguagens que se combinam em favor da transmissão da mensagem. São inúmeros os recursos verbo-visuais e acústicos, alterando a forma como recebemos e produzimos informação. Outra mudança a ser considerada é a dinamicidade das informações e a superficialidade com que as informações são apresentadas, o que tem impacto relevante sobre nossa capacidade de manter o foco e a atenção, dado o imediatismo de ver mais em menos tempo.
Massificação
Nesse sentido, precisamos pensar no quanto a linguagem permanece como veículo da cultura e da história humana, tendo em vista a massificação do que contamos; a superficialidade do que produzimos como informação e a criação de laços superficiais entre autores e leitores das mensagens propagadas. A subsunção de uma linguagem padrão que molda o pensamento de nossas crianças e jovens como única possível pode trazer danos enormes para a construção do pensamento simbólico, por meio do qual se estabelecem as interações sociais e a aquisição de conhecimento.




