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Sob os pés do mundo

Uma exposição que ensina a ver com as mãos e sentir com o coração

Giza Soares
Por Giza Soares 4 Min Leitura
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Encontros & mais encontros Imagens: Divulgação
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Em pleno coração de Brasília, o Museu Nacional abre as portas para uma mostra que convida o público a enxergar de outro jeito. Ou, quem sabe, a sentir pela primeira vez o que é caminhar com os olhos fechados, mas com a alma desperta. A exposição Sob os Pés do Mundo, em cartaz de 5 de agosto a 7 de setembro, reúne 17 obras táteis inspiradas nos percursos cotidianos de pessoas cegas e com baixa visão. É arte feita de calçadas, texturas e afetos. Uma travessia sensorial pelo Distrito Federal.

A ideia nasceu do artista e sociólogo Flavio Marzadro, que transformou memórias e trajetos urbanos em moldes de silicone, criados junto a quem vive a cidade por outros sentidos. O projeto, resultado de uma intensa jornada coletiva, faz parte do Festival Mês da Fotografia e também se apresenta como um manifesto silencioso: toda cidade precisa ser sentida, vivida e pertencida por todos.

Tocar a cidade com o corpo inteiro

Foram cinco oficinas sensoriais, conduzidas por Marzadro e pela ceramista Geusa Joseph, com participantes do CEEDV e da Biblioteca Braille Dorina Nowill. Os encontros reuniram histórias e mãos que tocaram azulejos, pedras portuguesas e pisos táteis, como quem lê com o corpo e escreve com a memória. Em vez de representar, as obras são os próprios caminhos. Moldes fiéis a trajetos reais, escolhidos por quatro coautores do projeto: Gilfrank, Manoel, Aparecida e Sheila. Cada um partilhou seu percurso, da Asa Sul a Planaltina, e, com ele, sua forma única de ver o mundo.

O resultado é uma exposição acessível e comovente, onde cada obra tem título em Braille, letras ampliadas, audiodescrição e paisagens sonoras. Dois dos quadros estarão abertos ao toque de qualquer visitante. Um convite à empatia. Um gesto simples: fechar os olhos, estender as mãos e deixar-se guiar por outras formas de presença.

Mais do que mostra, movimento

No dia da abertura, 5 de agosto, acontece um vernissage acessível, das 14h às 17h, dedicado aos participantes do projeto. Já no sábado, 9 de agosto, o grupo Teatro no Escuro comanda a experiência “Troca-Troca”. Nessa proposta, pessoas cegas guiam visitantes videntes em uma caminhada sensorial dentro e fora do museu. Uma vivência poderosa sobre confiança, escuta e conexão.

A exposição também marca o mais recente desdobramento da pesquisa de Marzadro sobre arte, cidade e inclusão. O projeto foi realizado com apoio do FAC-DF, em parceria com o Museu Nacional, o CEEDV e a Biblioteca Braille Dorina Nowill. E como toda boa arte, deixa um rastro. Uma nova forma de ocupar os espaços públicos, onde o toque é linguagem e a escuta se torna matéria-prima.

Sob os Pés do Mundo não é só para ver. É para sentir. E talvez, para jamais esquecer.

Serviço:

  • Sob os Pés do Mundo: uma experiência sensorial em Brasília
  • Data: de 05/08 a 07/09
  • Horário de visitação: de terça a domingo, das 9h às 17h
  • Dinâmica Troca-Troca conduzida pelo grupo Teatro no Escuro (Olho no Lance)
  • Data: 09/08
  • Horário: das 14 às 16h
  • Local: Galeria 2 – Térreo do Museu da República
  • – Entrada Franca

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