Na semana passada, um aluno me perguntou em uma aula na faculdade como se ensina as pessoas a lidar com as dores que vivenciamos ao longo de diferentes períodos de nossas histórias. Por um momento, não soube o que dizer, posto que eu mesma estava vivenciando uma perda que me doeu mais do que eu mesma poderia imaginar, impactando meu jeito de lidar com tudo na vida, transformando-me irremediavelmente. E fiquei buscando em minhas tantas experiências leitoras o que a teoria me dizia… Nada encontrei que valesse de fato a pena ser dito.
A fórmula
E simplesmente recorri à experiência pessoal e respondi que não se pode ensinar a lidar com o inopinado, com o inexplicável. Como ensinar a não chorar a ausência de alguém a ponto deste sentimento se traduzir em uma dor física? Como ensinar a não sentir dor quando olhar para o lado e não perceber que uma parte de nós não mais está ali? Não há fórmula para isso. E o jeito é sentir, totalmente, plenamente, até que a dor, de insuportável que é, nos abandone por não conseguir fazer mais estragos do que já fez.
Dores é aprendizado
E, ao contrário do que possa parecer, não estou defendendo o abandono à esperança, à vida, à superação. Estou dizendo que viver nossas dores é um senhor aprendizado e podemos tirar, de nossas perdas, profundas lições. Aquelas que são as mais preciosas na vida, por serem significativas e intransferíveis. Uma das aprendizagens valiosas que estes momentos nos proporcionam é dar valor a quem nos apoia, é reconhecer a riqueza de um abraço acolhedor ou de uma palavra de carinho e de solidariedade. Viver nossas dores é um senhor aprendizado. E podemos tirar, de nossas perdas, profundas lições”Sandra Mara Bessa
A dor dos outros
Nossa resposta para a questão feita tem relação, portanto, com a forma como lidamos com as dores do mundo, o que implica refletir sobre como atuamos diante da dor do outro e como esperamos que nossas dores sejam consideradas. Quantas vezes julgamos a dor do outro como menor. É como já nos ensinavam os antigos: Dor no calo alheio não nos incomoda… E não há medida para as dores. Elas são únicas, como traços identitários. É nossa e de mais ninguém. Não há, portanto, como teorizar sobre esse lidar com a dor. Muitas vezes, achamos que o silencioso sofre menos que o escandaloso e quanta dor há naquele olhar que não é observado.
Sendo inevitável à experiência humana, a dor é cantada por escritores ao longo da história sob as mais diferentes perspectivas. E não são poucos os que recorrem à escrita com o intuito de pôr para fora essas tantas perdas e saudades! Nesse processo, tais autores criam uma conexão entre seus escritos e suas dores. Na educação, podemos recorrer a estes tantos e belos textos para entender melhor esse sentimento que nos tira o chão, mas não nos condena eternamente à tristeza.




