Projeto de lei inspirado em Larissa Manoela propõe regras para proteção do patrimônio de filhos contra abusos dos pais

Texto aprovado na Câmara dos Deputados busca impedir gestão abusiva de bens e garantir transparência financeira

Flávia Marinho
Por Flávia Marinho 3 Min Leitura
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Imagem: Reprodução
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A Câmara dos Deputados aprovou, na terça-feira (28), um projeto de lei que estabelece normas para evitar abusos dos pais na administração do patrimônio de seus filhos menores de idade. A proposta, inspirada no caso da atriz Larissa Manoela, segue agora para análise no Senado.

O projeto de lei 3914/23, de autoria da deputada Silvye Alves (União-GO), visa garantir maior transparência na gestão dos bens de crianças e adolescentes, prevenindo casos de aproveitamento econômico indevido por parte dos pais. O texto determina que, até dois anos após atingirem a maioridade, os filhos poderão exigir dos pais a prestação de contas sobre a administração financeira realizada durante sua infância e adolescência. Caso sejam identificados prejuízos ou irregularidades, os pais deverão responder legalmente.

Entre as medidas propostas, a lei prevê que o Ministério Público ou o próprio filho possa acionar a Justiça caso haja risco de danos ao patrimônio. O juiz poderá adotar providências como:

• Restringir o acesso aos recursos financeiros para assegurar seu uso adequado;

• Criar uma reserva especial para proteger parte do patrimônio;

• Realizar auditorias periódicas para fiscalizar as contas e investimentos.

O projeto foi aprovado como substitutivo, com alterações da relatora Rosangela Moro (União-SP), que retirou a tipificação penal, tornando a resolução dos casos dependente de medidas judiciais.

A legislação também aborda a participação dos pais em empresas constituídas em conjunto com os filhos. Segundo o texto, eles ficam proibidos de:

• Vender ou renunciar a direitos sobre cotas e participações empresariais, objetos de valor e investimentos;

• Contrair dívidas em nome dos filhos que ultrapassem os limites da gestão administrativa usual.

O caso de Larissa Manoela, que em 2023 revelou ter rompido juridicamente com os pais e abdicado de um patrimônio estimado em R$ 18 milhões devido a conflitos financeiros, serviu de estímulo para a criação do projeto. A proposta busca garantir que situações semelhantes sejam evitadas, protegendo os interesses dos filhos e assegurando transparência na gestão patrimonial familiar.

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