Juros sobem novamente: o impacto do aumento da Selic na economia brasileira

Em fevereiro, inflação volta a subir e Banco Central reforça o ciclo de alta dos juros para tentar controlar a pressão sobre os preços

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medida do Banco Central busca controlar a inflação em um cenário de preços elevados e incertezas econômicasImagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Em fevereiro, o Brasil vivenciou um aumento significativo na inflação, que alcançou 1,31%, a maior desde março de 2022 e o índice mais elevado para o mês de fevereiro desde 2003. O principal fator responsável por essa alta foi a elevação dos preços da energia elétrica, impactando diretamente o bolso do consumidor. Este cenário, aliado ao crescimento da inflação em 12 meses, que já soma 5,06%, coloca o índice acima do teto da meta estabelecida pelo Banco Central (BC).

De acordo com o Conselho Monetário Nacional, a meta de inflação estipulada é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, ou seja, o valor limite superior seria de 4,5%. O IPCA de fevereiro ultrapassou essa margem, o que levou o Comitê de Política Monetária (Copom) a continuar sua trajetória de aumento na taxa básica de juros, a Selic. Essa foi a quinta elevação consecutiva, com um aumento de 1 ponto percentual, atingindo 13,75%.

A Selic em alta

A alta dos juros tem como principal objetivo controlar a inflação. Quando a Selic aumenta, o crédito fica mais caro, o que tende a reduzir o consumo e a demanda, controlando a pressão sobre os preços. Além disso, o aumento da taxa de juros também estimula a poupança, retirando um pouco da liquidez da economia. Contudo, o impacto vai além dos números da inflação: o encarecimento do crédito pode dificultar a expansão da atividade econômica, gerando uma desaceleração no crescimento.

Apesar dos esforços do Banco Central, o Copom alertou que a inflação, tanto a geral quanto os núcleos (indicadores que excluem os preços mais voláteis, como alimentos e energia), ainda se mantém em alta. O colegiado também destacou a preocupação com a inflação de serviços, que continua pressionando a economia.

Embora o aumento da Selic seja uma medida já esperada pelo mercado, o Copom indicou que, nas próximas reuniões, a elevação poderá ser feita em uma “menor magnitude”, com o foco em moderar o ritmo de crescimento da economia, sem aprofundar ainda mais os impactos negativos sobre o consumo. Em relação a decisões futuras, o BC afirmou que continuará monitorando a situação e ajustando sua política conforme necessário.

A política de juros mais altos pode, portanto, ter um efeito de equilíbrio, mas também gera desafios. Para a população, os custos de crédito mais elevados podem significar maiores dificuldades para financiar bens de consumo, enquanto o país segue tentando alinhar suas políticas monetária e fiscal com a realidade de uma economia global cheia de incertezas.

O cenário atual exige cautela do Banco Central, que mantém a expectativa de que, ao longo dos próximos meses, o ritmo de aumento da Selic seja reduzido, mas que, por ora, a inflação ainda exige atenção rigorosa.

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