Diarreia: o que devemos saber e quando nos preocupar

Uma criança bem alimentada e nutrida sofrerá menos se porventura for acometida por essa infecção

Dr. Tiago Oyama
Por Dr. Tiago Oyama  - Pediatra 4 Min Leitura
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Sinais de desidratação exigem atenção imediata em casos de diarreia infantilImagem: Freepik
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A diarreia é um sintoma que pode estar presente em muitas doenças que podem acometer a função intestinal dos nossos pequenos. Pode ser caracterizada por evacuações amolecidas ou líquidas, e geralmente com o aumento na frequência diária.
Nas crianças, a grande maioria dos casos são diarreias agudas, cuja melhora acontece em até 14 dias. Quando a duração passa de trinta dias, temos as chamadas diarreias crônicas (e diarreias persistentes ficam num intervalo de tempo entre esses dois tipos).

Causas

As causas são variadas, sendo que a maior parte dos casos são diarreias infecciosas provocadas por vírus, ou bactérias, ou ainda protozoários. Podem ainda ser provocadas pela ingestão de determinadas substâncias presentes em alguns alimentos, como frutose e sacarose presente em diversas frutas, ou ainda a lactose presente em leites e derivados que vão provocar diarreia e cólicas abdominais nos indivíduos intolerantes, além de outras substâncias presentes em alimentos (como sorbitol ou glutamato). Há casos provocados por medicamentos (laxantes, antibióticos em alguns casos), alergias alimentares (alergia a proteína do leite de vaca é a mais comum, mas há também alergia a soja, ovo, glúten, dentre tantas), doenças autoimunes (doença de Crohn e colite ulcerativa).

As diarreias agudas geralmente iniciam com a perda do apetite, seguido frequentemente de febre e vômitos, além das evacuações líquidas, onde há perda de líquidos e eletrólitos (tanto nos vômitos, nas evacuações e pela febre), sendo a principal complicação desses quadros a desidratação. A boca com pouca saliva, certa palidez na face, choro sem lágrimas, olhos fundos, ausência de diurese por mais de seis horas ou pouca urina muito concentrada, fraqueza, sonolência, apatia, pele com aspecto murcho são sinais de desidratação e necessita de avaliação médica imediata desse pequeno paciente.

Tratamento

O tratamento inclui reposição de líquidos e eletrólitos (solução de reidratação oral), que nos casos leves pode ser iniciada em casa após avaliação e orientação médica, além de alimentação leve, sem alimentos industrializados ou com alto teor de açúcares, bem como evitar alimentos gordurosos; pode ainda ser de grande valia na recuperação o uso de probióticos, que vão ajudar a restabelecer a flora intestinal. Os casos com febre alta, sangue e muco nas fezes, prostração podem necessitar de intervenção médica mais vigorosa, com internação e/ou uso de antibióticos.

As diarreias crônicas podem cursar má absorção de vários nutrientes, podendo alterar o desenvolvimento pondero-estatural, desnutrição, baixa estatura e anemia. Devem ser investigadas as causas pelo pediatra, necessitando de exames de sangue, das fezes, exames de imagem, e até biópsias.

Prevenção

A prevenção principal nas diarreias agudas é evitar o contato com pessoas com diarreia (o que é muito difícil para crianças frequentando as aulas), mas criar o hábito de lavar as mãos com maior frequência, principalmente antes das refeições e usar álcool gel para assepsia das mãos, é possível. O aleitamento materno exclusivo até o sexto mês de vida é cientificamente comprovado como fator protetor de excelência, não apenas contra as diarreias, mas contra as infecções em geral. A vacinação contra o rotavírus também diminui a gravidade contra esse agente específico.

Como sempre friso nas consultas, por isso o acompanhamento médico regular das crianças é fundamental, uma criança bem alimentada e nutrida sofrerá menos se porventura for acometida por essa infecção, sendo casos mais leves e com recuperação mais rápida.

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Posted by Dr. Tiago Oyama Pediatra
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Graduado em Medicina pela Universidade de São Paulo (Campus Ribeirão Preto); Residência Médica em pediatria no Hospital das Clínicas da USP - Ribeirão Preto; Residência Médica em Terapia Intensiva Pediátrica; Especialista em Pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria; Especialista em Terapia Intensiva Pediátrica pela Sociedade Brasileira de Pediatria.
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